SONHO PAGÃO


De noite,

Nessas noites mornas e lentas,

Iluminadas pela lua sensual,

Quando as flores se abrem languescentes,

De corolas abertas, carnais,

Como corpos que se entregam

Vou, como uma deusa pagã em desvario,

De narinas dilatadas,

Procurar o excitante odor da tua pele.

A boca sedenta, quer beber-te no ar em brasa…

Ávido o olhar, busco encontrar-te

Nas trevas que m’envolvem…

Vejo-te em cada sombra que se adensa…

Ouço no canto das fontes,

A tua voz, que desconheço…

Tem o langor deste desejo que voa até ti…

Quebro de raiva os ramos que me ferem,

sôfrega dos teus beijos…

Piso…Mastigo as folhas secas que m’acolhem

Com a ilusão de morder-te a carne ardente…

Depois, caída na realidade da minha solidão,

Clamo por ti…

Berro na noite teu nome d’amor…

Aperto em meus braços a forma do teu corpo

E mergulho meus lábios nessa imagem,

Soltando uivos de prazer e desespero…


Vera Lucia





RUA 13

O beco é escuro…

Rua 13…Rua 13…

Bocas que sugam sangue

Olhos que choram sangue

Solidão e miséria.

É noite…

Sinto qu’é noite.

Não porque o sol s’escondesse

Não porque a sombra descesse

Mas porque no meu coração

O brado dessa miséria

Se fundiu, se faz sentir.

É a noite que nos arrasta.

Não é só a noite…

É noite. Uma noite espessa, sem paz.

Sem Deus, sem afagos,

Sem nacos de pão, sem nada.

Uma noite sem distâncias…

Apenas noite.

Mas por trás dos altos montes

A aurora vem surgindo.

Tudo o que à noite perdemos

O dia nos traz novamente.

Surgem aves chilreantes

Badalar manso de sinos

Cantos suaves do mar.

No alto da Rua 13

Brilha tremendo uma luz.

É o sol…A esperança,

Que um dia aquela rua

De almas sem luz e sem sol

Também veja o alvorecer.


Vera Lúcia


79 comentários:

António disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
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Kalaari disse...

Caros Amigos,

Foi com a maior satisfação que recebi a notícia de terem incluído este blogue entre os melhores do Brasil. Uma distinção que me enche de alegria e que vai, inteirinha, para o seu mentor, o amigo António Almeida. Continuaremos a esforçar-nos por merecer esta eleição e esperamos que a aceitação que temos vindo a ter junto de milhares de visitantes, se mantenha.
Um grande abraço e o nosso obrigado a toda a vossa equipe.

KimdaMagna disse...

...uma flauta cheia de música...

adorei a poeta musicalidade!

Xaxuaxo

kalaari disse...

Que seria duma vida sem música? Já que não pudemos embriagarmo-nos com o som das marimbas, dos batuques(lembra-se das madrugadas das quartas feiras de cinzas que acordávamos com esse canto maravilhoso dos tambores ressoando ao longe?) temos que nos agarrar àquilo que temos! Um abraço com sabor a múcua, ou a maboque, com a doçura da cana do açucar. Fui ao seu blogue. Deixei comentário.

KimdaMagna disse...

seu sítio é Magia, minha Irmã!!!

xaxuaxo

ana maria disse...

A sensualidade evidenciada de forma muito subtil está em grande dose na sua poesia. Adorei esse verdadeiro hino ao amor. Vou voltar sempre.

MÁRIO ALBUQUERQUE disse...

QUE BLOGUE EMOCIONANTE. é UM PRAZER ENCONTRAR TRABALHOS DESTES E SÓ ME ADMIRA QUE TENHA OCULTADO POR TANTO TEMPO ESTE DOM EMOCIONANTE QUE É SER POETA.

José Santos disse...

Uma estranha forma de fazer poesia, acessível a todos, duma beleza simples e sensibilidade extrema. Já sou seu fã.

Kalaari disse...

Desejo-lhe uma Páscoa Feliz e obrigado pela beleza da sua poesia e
os momentos cheios de prazer que me proporcionam. Vou estar sempre aqui.

António Brito de Almeida

Tatiana disse...

Vim agradecer a sua visita e palavras deixadas em meu blog.
Você não imagina o encanto que meu coração sentiu ao entrar em seu blog e desvendar tantas maravilhas!
Estarei sempre aqui...

Meu abraço carinhoso e o desejo de uma páscoa muito feliz!

manzas disse...

Nos lençóis de seda em mar sereno
Tocam os dedos de um sol madrugador…
Desperta o planar de uma gaivota
No desabrochar de uma fina flor

Desamarro das margens do rio
Batel pintado com cheiro de jardim…
Redes enleadas no engodo do amor
Veste-se tímida a manhã num cais de cetim

Um resto de uma boa semana
Na rota dos sonhos!
Bem-haja!

O eterno abraço…

-MANZAS-

Kalaari disse...

Amiga Tatiana,
Agradeço a sua visita e palavras carinhosas que aqui deixou. Sou também visitante assídua do seu blogue que está lindo. As mensagens de paz, nunca são demais. Talvez não passem de palavras atiradas ao vento, mas quanto mais surgirem, maior será a sua força.
Um abraço grande
Vera Lucia

Kalaari disse...

Manzas,

Eu considero-o um dos grandes poetas românticos da nova geração.
Não deixe que nada apague esse fogo.
Obrigado pela visita. Volte sempre.
Um abraço grande da
Vera Lucia

Ana Brito disse...

Depois duma ausência,vim novamente deliciar-me com este blog ,que continua a transmitir-me uma série de sentimentos...continue,pois este alento é óptimo para as nossas emoções....poemas belos,imagens e canções excelentes um blog com um conteúdo maravilhoso.
Ana Brito

António disse...

Já vi que ocorreram grandes mudanças positivas neste blog.

Está excelente !

Um grande abraço.

António

vanda viveiros de castro disse...

Cara Vera Lúcia,
Lindo blog, bela poesia, e ainda sendo Saudade a palavra pela qual temos tanto carinho nesta nossa linda língua portuguesa, da terra dos poetas e escritores de que mais gosto. Sou a Vanda do http://biscoitochines.blogspot.com
e vim retribuir sua simpática visita por lá.
Bom, jornalista e aquariana, tínhamos que ter mesmo afinidades... e você também entrevistou Vinícius de Morais? mais uma, então!
Um grande abraço e a promessa de novas visitas, Vanda

Kalaari disse...

Querida Vanda , amiga e colega de ofício.
Obrigado pela sua visita e seu comentário.
Volte, sim, mais vezes. É importante para mim. Vou dar uma saltada ao seu site para falarmos melhor.
Um abraço grande.
Vera Lucia

vanda viveiros de castro disse...

Caríssima Vera Lúcia,
Quanta curiosidade me provocou seu comentário! Resolvi responder tanto lá como cá, apenas não tão depressa quanto gostaria, porque continuo a lidar diariamente com a aventura de uma redação jornalística. A mesma redação que há tanto tempo me permitiu entrevistar nosso querido Vinícius de Morais, que junto com Tom Jobim considero dois patrimônios cariocas da humanidade, com a mesma alegria que imagino que você considere os belos escritores conterrâneos que tem. Ouvi, muitos anos depois, de seu parceiro Edu Lobo, que Vinícius era sociável e agregador, era ele que juntava as pessoas, muito mais do que o Tom, que vivia mais exposto, e sabíamos sempre onde encontrar nos dias e nas noites por aqui.
Sobre família, acho que Vinícius teve tantas e isso acaba se diluindo em nenhuma. Já ouvimos que "de perto, ninguém é normal" mas salve, sempre, a liberdade de não ser normal, especialmente sendo tão talentoso e generoso como ele foi e continua sendo, eternamente, a cada verso seu.
Vinícius foi colega de colégio do meu pai, e mesmo não sendo o Brasil tão conservador quando Portugal, era preciso coragem para conquistar a liberdade que teve, e coragem ele teve. Eram tempos ainda menores e mais provincianos, e a diplomacia devia engessá-lo ainda mais.
Se for possível um dia, gostaria de ler sua entrevista, e isso me lembra de tentar encontrar a minha, que deve ser bem curta como são os tempos da televisão por aqui. Mesmo assim, foi para mim uma glória que não esqueço.
Volte sempre, e eu voltarei!
Um grande abraço, Vanda

Menina_marota disse...

Um texto de uma subtileza linda... quando vamos ao encontro de alguém e aí permanecemos...
Bj e bom fim de semana :)

Kimangola disse...

a eterna poesia dos encontros e desencontros da vida, tão plena sempre na busca de "um sentir",
aquele...


xaxuaxo

Zé Kahango disse...

Lindíssimo!

J. Costa Jr. disse...

Simplesmente um dos poemas mais lindos que já li em toda a minha vida. Feito de paixão, amor, verdade, magia e encanto. Maravilhoso. Dormirei esta noite pensando em cada linha dessa obra de arte. Parabéns, Vera!

Kalaari disse...

Que elogio lindo...Senti meu ego subir até às estrelas. Obrigado.Só espero que volte mais vezes e deixe mais comentário, indispensáveis para sabermos se o nosso trabalho encontra eco naqueles que nos lêem.

Anónimo disse...

O mundo faz-se com ideias. Vim alimentar-me e deixar convite para
www.olhoensaios.blogspot.com

Ana Lettiere disse...

Olá amiga!Estou adorando seu Blog,até me cadastrei como seguidora!Os textos são magníficos,e tudo é de muito bom gosto.Também quero te agradecer pela sua visita ao meu Blog,volte sempre que quiser,será muito bem vinda.Abraços repletos de paz e felicidade!!!Ana Lettiere

ARANOI disse...

SOU SUA FÃ ADMIRO SEU TALENTO E BELEZA COM EXPRESSA. PARABENS

Mina disse...

Folhear este blog é desfrutar momentos de prazer e matar a saudade de tempos, lugares onde vivemos tempos felizes. Felizmente através da Net podes partilhar e dar a conhecer ao Mundo o DOM que Deus te deu. Não deixes que a tua escrita adromeça na penumbra de uma sala, nem no fundo escuro de uma gaveta.Um beijo fraterno. Mina

JotaCê Carranca disse...

Mesmo quando estou na fase triste da escrita (será que posso dizer que eu escrevo ou faço uns rabiscos com as palavras?) gosto de passar por aqui, mesmo quando não deixo sinal.
BJS

Kalaari disse...

Querida Mana
O teu comentário valeu ouro... Ainda bem que gostaste do blogue. É a minha porta de saída para o mundo e para os amigos que tenho espalhados por aí fora. o que é muito importante para mim. Sempre gostei de comunicar, tu sabes e por vezes, quando contactam comigo apresentando-me mil e um problemas, pouco posso fazer mas sei que muitas vezes, as minhas palavras são um lenitivo para eles.É o que me faz feliz.
Mil beijos
V.L.

Kalaari disse...

...''Gosto de passar por aqui, mesmo quando não deixo sinal...''
Esta frase caiu fundo no meu coração. Só de você, meu querido amigo, podia vir tanta ternura. É a mesma humildade quando escreve crónicas maravilhosas, que deixam pegadas, mas que você faz questão de apagar, tal como deixa que o mau apague as suas, nos seus passeios pela praia, à procura do zulmarinho.
Espero que a sua busca o leve à praia que procura, porque nós, que bebemos a água da rio Cavaco, nunca mais encontramos outra água que sacie a nossa sede.
Um beijo com a doçura das nossas mangas e a força das calemas que açoitavam a nossa Praia Morena.
Vera Lucia

Kimangola disse...

"Esclarecer é defender as nossas gerações futuras".

subscrevo total e firmemente.


xaxuaxo

Anónimo disse...

Há um tempo que não vinha visitar este blog ,claro que mais uma vez fiquei surpreendida pela positiva. A Vera Continua a lutar ,contra as Grandes Injustiças Deste Nosso Mundo,onde já se ultrapassaram todos os limites,e somos verdadeiros peões controlados pela sede do Poder,onde não existe Ética nem Moral...enfim ainda bem que há sempre alguém que luta contra tudo isso ,não deixa cair os braços ,e, assiste indiferente ao que se passa, e esse alguém é sem duvida alguma a nossa querida Vera que já nos acostomou a isso.Depois tem o outro lado ...os seus poemas que leio ,e releio sempre com a mesma sensação de ser uma Mulher duma sensibilidade incrível.Continue Vera,pois muitos como eu ,têm necessidade das suas palavras,sejam elas de Revolta,Amor, Entrega,Justiça enfim uma mistura de sentimentos que tanto prazer me dão neste blog .Parabéns ,mais uma vez.

intervalo disse...

Vera Lúcia,desculpa invasão.Tenho em minha página este link http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/06/13/6780/do qual gosto muito de visitar tem textos que chama minha atenção hj deixei lá um comentário recebi resposta muito gentil com este link http://cdeassis.wordpress.com/aí te conheci gostei muito do que vi e li,permita-me vou levar p/ minha página desejo voltar sempre.Texto sobre globalização deixou-me com vontade querer saber mais,meu conhecimento é limitado a vontade é grande de saber e tentar de alguma forma contribuir com universo para que tenhamos um mundo melhor,divulgando trabalho maravilhoso como os que conheci hj
deixa-me da-me satisfação.Obrigada pela oportunidade estar aqui.Desejo-lhe energia positiva em cada novo dia.beijoss com carinho meu.Lia...

entremares disse...

Todos os dias, o mesmo flagelo, a mesma rotina, o mesmo desespero.
O que comer?
A terra continuava seca. Seca e estéril como as pedras, sem erva, sem alimento, sem água.
A grande planície de El Fasher, no extremo ocidental do país, sempre fora o lar ancestral dos Fur, uma das quatro etnias de um dos países mais áridos de Africa, o Sudão. Os Shatt, os Tama e os Zaghawa, mais numerosos, há muito que se haviam espalhado pelos territórios vizinhos, instalando-se até em países vizinhos, como o Chade, a Líbia e até o Egipto.
Os Fur, mais ciosos dos seus costumes e tradições, mantinham-se na grande planicie, sobrevivendo às atrocidades de Darfur, tentando sobreviver nas pequenas aldeias, de paredes de barro e tectos de ramos secos.
Sobreviver.
Há quanto tempo não caía dos céus uma gota de água? Um ano? Talvez mais.

Mordebe conhecia bem as suas tarefas diárias. Aos sete anos, podia dar-se por muito feliz por estar vivo, não padecer de nenhuma doença grave e, principalmente, não ser orfão. Eram estas as prioridades para qualquer criança Fur, sabendo já de antemão que adoecer era o prenúncio da morte, sem médicos, nem hospitais nem farmácias num raio de muitas centenas de quilómetros.
O dia de Mordebe começava bem cedo, por volta das cinco da manhã, quando os primeiros raios de sol desciam sobre a aldeia. A mãe, Nyala, agitava as brasas e despejava sobre as malgas de barro uma mistura pastosa de sabor azedo, misturando sementes moídas e folhas verdes; a água era pouca e não podia ser desperdiçada.
A temperatura subia rapidamente para os 40, 41 ou 42º - mesmo assim, sempre um pouco menos que em Albara, mais ao norte, onde atingia frequentemente os 46 e 47º - um autêntico inferno, à sombra.
Depois da parca refeição, era tempo da recolha.
Mordebe, o irmão mais velho e o filho dos vizinhos, Fashin, dirigiam-se ao extremo sul da aldeia e, a partir daí, percorriam agachados os campos secos, de malga de barro na mão, à procura de sementes – sementes deixadas cair pelos pássaros, arrastadas pelo vento, desenterradas por acaso. Tudo servia, desde que fosse comestível.
De quando em quando, pequenos arbustos eriçados de espinhos brotavam de entre as rochas. As poucas árvores que ainda sobreviviam, erguiam-se como fantasmas nus de folhas, agitando os ramos vazios ao vento, à procura de uma brisa mais fresca.
Assim passariam toda a manhã, até o sol atingir o ponto mais alto. Depois, voltariam a casa, Nyala tentaria cozinhar algo com que pudessem enganar a fome por mais umas horas e logo voltariam ao campo, para procurar novamente mais alguns grãos.

(continua...)

entremares disse...

(...continuação)

Na semana anterior, Fashin perdera o irmão mais novo, de doença.
Caminhavam em silêncio, atentos às pedras e raízes, em busca das sementes que poderiam significar a diferença entre a vida e a morte, abandonados aos seus próprios pensamentos, quebrados pelo inevitável fardo de lutar... para sobreviver.
O céu, habitualmente azul escuro e sem nuvens, ostentava um cinzento pesado de chumbo.
Mordebe sentou-se um pouco, interrompendo a busca incessante de sementes. Os joelhos doíam-lhe horrivelmente e as costas, vergadas à posição habitual, teimavam em não conseguir uma postura correcta.
Olhou para cima e na sua imaginação, as nuvens brancas formaram figuras fantasmagóricas, destacando-se sobre o fundo escuro do céu. Uma delas, em particular, assemelhava-se bastante a um rosto humano, sorridente e afectuoso.
Mordebe sorriu-lhe, e a nuvem pareceu devolver-lhe o sorriso.
Ao longe, um clarão de fogo sulcou os céus.

Mordebe fechou os olhos. Algo lhe caíra sobre a testa.
Abriu a boca.
Primeiro uma gota, depois outra... e ainda mais outra, gotas grossas de água refrescante, e em breve o céu se despejou sobre a terra árida, vertendo com violência toda a água armazenada durante a seca de tantos e tantos meses.
Mordebe permaneceu sentado, de boca aberta, sorvendo com sofreguidão os pingos grossos que lhe escorriam pela cara. Colocou as mãos em concha sobre a boca e ali ficou, a beber água, como se de repente o paraíso tivesse descido à terra sob a forma de pequenas gotas cristalinas.

O rosto humano, sorridente e afectuoso, que Mordebe vira nas nuvens, já se dissolvera noutras formas. Mas a chuva continuava a cair, sob a forma de um quase milagre, sobre a planície ressequida de El Fasher.

Mordebe permaneceu sentado, de boca aberta às gotas da chuva, durante muito tempo.
O futuro era incerto.
Não sabia quando voltaria a chover.

Kalaari disse...

Querido amigo,
Como pedires desculpa por visitares o meu blog? Eu só tenho que te agradecer pelas palavras amigas que deixaste e só espero que voltes mais vezes, porque dentro de dias vai ser renovado e vais encontrar novidades.´Volta sempre.Espero-te de braços abertos, à porta desta casa que também é tua.
Vera Lucia

Kalaari disse...

Car o ''Entremares'',

Tei localizá-lo para responder ao seu contacto, mas não consegui chegar até si. Vejo que África também faz parte das suas prioridades. Ainda bem que encontro em si mais um irmão. Se quiser deixar seu contacto, faça por aqui. Gostei muito do texto, gostava que entrasse neste blog pela porta de honra. Fico aguardando suas notícias.
Abraço grande

vanda viveiros de castro disse...

Querida Vera Lucia, as férias acabaram, sim, foram curtas mas correram muito bem, obrigada! Falta tempo e um um pouquinho mais de ânimo, mas felizmente as idéias não me abandonaram, tenho uma pilha delas, e sei que vou voltar à antiga regularidade muito breve. Não deixe de conferir!
E fico também devendo uma visita mais atenta aqui! Beijos, da Vanda
http://biscoitochines.blogspot.com

manoel de andrade disse...

Vera Lúcia,
este recanto terá ainda mais encanto com o teu canto
traga-nos os líricos rastros das tuas aventuras
tua liberdade errante e peregrina
teus mistérios e a amizade das estrelas
queremos e amamos este teu rosto sereno e solidário
por sabermos que nele tuas mãos seguram tambem a face da esperança.
Traga-nos esse teu mundo irreal
tua ilha de silêncio e o mistério que te esconde
para que possamos te abraçar nessa magia
e aguardar teus versos, sempre e cada dia,
já que estás tão longe
e só podemos te abraçar na poesia.

sarah Ataíde disse...

Acerca do conto : 'A mãe'

Um conto encantador que retrata bem o que era a sociedade angolana. Já conhecia os trabalhos da Vera. É sempre um prazer relê-los e, principalmente, recordarmos Angola através deles.

manoel de andrade disse...

Acerca do conto: 'A mãe'

Que belo conto, Vera Lúcia. Quanta visibilidade. Contudo, com um trágico e inesperado desfecho. Uma cena que devora todo o enredo anterior. Um retrato social, diz o comentário de Sarah. Há bases culturais para decisões pessoais desse tipo. Que desamparo íntimo, que cultura cruel… Embora o conto não se situe historicamente, todo o imenso terror social, que sobreveio a independência de Angola, naquela sangrenta disputa, nacional e internacional, pelo poder, gerou esse descaso pelo vida? Havia no ar essa psicosfera de fatalidade ou a busca do afogamento, pela personagem, é apenas um detalhe literário?

Por outro lado, se este conto retrata o que era a sociedade angolana, algo então mudou? Qual o papel que a mulher como esposa e mãe possui, actualmente, nessa cultura?

Kalaari disse...

Manoel de Andrade,

O seu comentário levanta diversas questões que procurarei esclarecer,de forma sucinta, porque seria uma matéria, que a ser falada em detalhe, constituiria uma resposta muito, muito longa.
Comecemos, pois, pelo final inesperado do conto: o suicídio da mãe. Eu acho que as mães angolanas, d’entre as mulheres de muitos países de África que conheço, são das mais devotadas aos filhos. É uma sociedade verdadeiramente matriarcal, no que respeita ao trabalho e às responsabilidades. A mulher, na família angolana, é a chave mestra, porque até se verifica um elevado grau de irresponsabilidade no que diz respeito aos homens. Mas, curiosamente, são emocionalmente muito dependentes deles, aceitando, como dados adquiridos, por exemplo, as amantes, as atitudes machistas que chegam muitas vezes à violência, o autoritarismo, as decisões unilaterais etc.etc.
Após a independência, a situação melhorou bastante, porque as mulheres tiveram mais facilidade de acesso aos estudos e hoje até já há algumas fazendo parte do Governo. Mas se pensarmos que todos estes campos vedados às mulheres na Angola-colónia eram igualmente vedados aos homens e essas facilidades foram equacionadas a todos os angolanos, é discutível em termos percentuais se houve assim um número tão elevado de mulheres. Mas eu penso que sim, se nos lembrarmos que antes da independência, era normal que o homem-branco que se instalasse em Angola, se juntasse a uma nativa, o que lhe facilitava bastante a integração, tivesse filhos mas quando chegava a altura de se casarem, após atingirem os seus objectivos materiais, abandonavam pura e simplesmente as companheiras e filhos, e vinham casar com uma mulher branca que com essa, sim, é que construíam família.

Kalaari disse...

continuação:

E isto, impunemente. Hoje, pelo menos isso, já não acontece. Porque o receio de represálias de qualquer estrangeiro que quisesse repetir isso é tal, que não se atrevem a tanto. Antes da independência, qualquer mulher angolana, fosse de que etnia fosse, tinha um cartão de residente, que lhe limitava a saída da sua área de residência, para qualquer outra parte do país, sem a autorização oficial do marido ou companheiro, se este fosse português ou, na ausência deste, dum representante das Autoridades portuguesas.
É claro que a independência nos trouxe muitos benefícios. O suicídio da personagem deste conto é talvez simbólico. Fisicamente, seria difícil que isso acontecesse, mas espiritualmente, ah…sim. Não ponho dúvidas, porque conheci muitos casos, que acontecia essa morte espiritual, de mulheres a quem retiraram os filhos e viram-nos entregues a outras mulheres e que foram pura e simplesmente espoliadas das suas casas e dos seus haveres.
Pergunta se há em Angola um desapego da vida… Há e não há.Vive-se o dia-a-dia como se fosse o último, por isso o povo tem na sua maioria um semblante feliz, porque é dócil perante o destino, é pouco exigente e grato, muito grato, pelo pouco que a vida lhe dá.É um Povo fantástico na forma como vive o seu dia-a-dia.Mais de quarenta anos de guerra, antes e após a independência, faz-nos, como é óbvio, encararmos a morte com a maior das naturalidades porque perdemos quase a noção do que é morrer de velhice, na plácida intimidade dos nossos lares. A idéia é:Mais um dia… Estamos vivos… Vamos vivê-lo… Talvez não cheguemos ao amanhã. E a morte é encarada de forma muito natural e até festiva. Senão, vejamos: quando alguém morre, a família convida todos os amigos para o ”óbito”. Durante a dia da vigília do corpo, do funeral, e mais três dias, portanto cinco dias ao todo, há uma enorme festa, com muita comida, muitas bebidas, muitas batucadas e muita festa. Isto para festejar a ida da pessoa que morreu para um sítio melhor. Durante um mês, não se toca em nada que lhe pertenceu, nem na cama onde faleceu, e o quarto e janelas, permanece tudo fechado, porque o espírito do morto ainda não abandonou a terra. Ao completar um mês depois da sua morte, tem então lugar uma festa ainda maior, onde se limpa tudo que a pessoa deixou, distribuem-se as coisas que deixou e a isso se chama ”o varrer das cinzas” ou ”cambaritoco”. Essa é a grande festa, dependente do poder económico dos familiares, mas que nunca deixa de ter lugar, por mais humilde que seja a pessoa.É um ritual que se impõe porque só assim o morto terá descanso e não ficará preso àquilo que cá deixou. Portanto, somos um Povo muito espiritual.
Marcas sociais e culturais que a guerra tenha deixado? Nós tivemos uma guerra física, é certo. Mas as guerras morais desencadeadas por outras culturas, diversas outras formas de governar, não deixaram marcas muito piores? Mesmo aqui, em Portugal, nas aldeias perdidas vejo que ainda existe a violência contra as mulheres, a descriminação, enfim, tanta coisa ruim, a pedofilia, a violação e morte de menores, recém-nascidos mortos na hora de virem ao mundo, tanta coisa que, quando me pergunta os traumas que a guerra nos trouxe, trouxe-nos, é certo, muitos sentimentos de perda, mas o que se passa no mundo? Por exemplo aqui, em Portugal, não foi nenhuma guerra que desencadeou tudo isto. Não uma guerra física. Mas sim, uma guerra moral desencadeada, à semelhança, aliás, ao que se passa em quase todos os países, por uma liberdade que não existe, por uma crise de moral, por governantes que não governam mas,sim, se governam, por uma justiça que não funciona, pela inexistência de qualquer espécie de valores, e isto, sim, talvez leve as pessoas a desapegarem-se por completo da vida e muitos a pensarem a sério que só viverão em paz depois da morte.
Querido amigo, espero ter-lhe dado uma idéia daquilo que penso. De qualquer modo, obrigado pelo comentário.

Kalaari disse...

continuação:

Mais um detalhe ao comentário acima, cujo detalhe que mais chocou o meu amigo Manoel de Andrade, teria sido o suicídio da jovem mãe.
Em Angola, tal como em outros países africanos, a taxa de suicídio é práticamente nula.
Constata-se, por exemplo, que no Japão, um dos países mais desenvolvidos do mundo, a taxa de suicídios é, actualmente, a mais elevada.Em Portugal, aumentaram 100 por cento nos ultimos, cifrando-se, neste momento, em cerca de 1.100 casos por ano, sendo, mesmo assim, as taxas mais baixas da Europa.
No Iraque e em Cuba, são os países de índice mais baixo, sendo que no Iraque, a maior taxa são os casos de ideologia.
Com isto se chega à conclusão, que o desenvolvimento físico dos países, contribui assustadoramente para a decadência moral e espiritual dos Povos, que se encontram de tal maneira perdidos, que julgam que a morte é a única saída que lhes resta. Uma coisa que dá para pensar. Ou se tornam muito exigentes não aceitando o ”pouco” e exigindo ”mais e mais”, ou têm tanto, que pensam não haver mais nada a conquistarem…
Dá para reflectir, não é verdade?

Um abraço

Vera Lucia

manoel de andrade disse...

Cara Vera Lúcia, muito mais que uma resposta. Obrigado pelo amplo esclarecimento. Informação e conciência crítica. Que previlégio para mim a para todos os leitores desse site assimilar uma análise cultural legitimada pela experiência.
Pelo texto, entendi que vives em Portugal. Eu imaginava que vivias em Angola. Se quiseres me tires essa dúvida por email.

João Batista do Lago disse...

Vera Lúcia é dessas poetisas que a gente ler uma vez e nunca mais esquece. Seus poemas são exuberantemente líricos… Mas de um lirismo que nos introjeta em pensamentos e que nos revelam, quase sempre, o fundo do povo em que nos jogamos. Contudo, quando olhamos para cima vemos a luz instalada e estalando e brilhando e dizendo num convite magistral para subirmos e, assim, tocarmos nas rosas e nas flores…

Receba um terno beijo deste teu admirado do lado de cá dos mares e oceanos.
Esteja bem e em paz com sua/nossa Angola.

Carinhosamente
João Batista do Lago

Kalaari disse...

Caro Amigo

A minha gratidão por este comentário pelas referências que faz à minha poesia, que, na opinião de muitos,é quase primitiva. Talvez…Não sou uma tecnocrata, sou apenas uma mulher angolana que escreve por necessidade e que vê no
papel o local certo para extravasar os sentimentos que nessa hora a assolam:dor, revolta, saudade, paixão…
A sua poesia foi e ainda é, para mim, uma referência.
Ainda bem que voltou, porque também senti fundo a sua ausência.
Mais uma vez obrigado.
Um abraço grande da
Vera Lucia

João Batista do Lago disse...

Sobre "A Viagem" e "Nada".

Poesias de um "Simbolismo" avassalador.
Penso que nessas poesias - A VIAGEM e NADA - você consegue, efetivamente, inserir o básico conceito do Simbolismo. pois, você trabalha sua poética a partir do seu mundo interior em busca dos estratos mais recônditos para ultrapassar o nível duma consciência mergulhando no inconsciente-consciente até atingir o "eu profundo"; mais-que-profundo, em direção a zona pré-logica ou pré-verbal do psiquismo humano, estabelecendo a dimensão do caos e da alogicidade dum "eu" instaurado no "sujeito" da poesia que fala e que se faz representar pelos sonhos, devaneios, visões, alucinações...

Gostei de ambas poesias.
Parabéns.
JBL

PauloLeandroValoto disse...

Sobre : 'Poema em forma de ampulheta'

que show é este?!!!!
uma pintura de obra prima!
uma revoluçao em estética na poética.
me rendo aos seus belos versos de uma imagem fantástica e linda.
um show!
um belo show!
continue assim, nos brindando com isso.
meus parabens!

katiadom disse...

Sobre 'A estrela'

Veruska, não tenho palavras para expressar a emoção que senti ao ler sua poesia.
Nós somos muito pequenos, mesquinhos e muitas outras coisas, pois não conhecemos, não entendemos e não sentimos a guerra,...
Que bom que você nos passa com suas palavras esses sentimentos que precisamos ter mais vezes e enxergar a dura realidade que existe a nossa volta.
Obrigada.

J. COSTA JR. disse...

Sobre : 'clube bildenberg'

Textos como este são imprescindíveis para se compreender e repudiar certas aberrações que acontecem por toda parte.
Se existe a responsabilidade social do escritor, ela se expressa em textos como este. Parabéns, Veruska.

ARANOI disse...

Que mas amo em voce e simplicidade,voce transborda encantamento nas palavras e nos gestos .Fiquei muito feliz com a visita em meu blog e deuam felicidade impar.
Te admiro.. bjocas

Jamil disse...

Adorei tudo que vi no seu espaço,Vera Lúcia. Você é uma poeta e tanto! Que grata surpresa conhecer o seu trabalho. Suas poesias são simplesmente maravilhosas. Que sensibilidade,minha amiga!
Obrigada por me haver dado conhecer seu espaço!
Tenha um ótimo dia!
Bjs
Yara

Dri Viaro disse...

Boa tarde, estou passando pra conhecer seu blog, e desejar boa semana.
bjsss

aguardo sua visita :)

intervalo disse...

Vera Lúcia,prazer imenso ter sua presença em meu pequeno universo.Teu espaço é lindo,voltarei.beijoss com carinho meu.Lia...

KImdaMagna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
KImdaMagna disse...

...abri-la como uma enciclopédia de emoções universal...
pulsa o sangue nas sua palavras.

respiro-te minha irmã...

xaxuaxo

Tatiana disse...

Vera Lúcia...
impossível não emocionar ao ler as suas palavras.
Uma carta repleta de sentimentos!

Beijos com meu carinho para você!

Laísa Pinheiro Couto disse...

Olá Vera...
é um prazer está aqui prestigiando seu blog que faz tanto sucesso quando no Autores...

Suas palavras são preciosas...

Faça-me uma visita http://confissoesdesajustadas.blogspot.com/

Parabéns! Fica com Deus!

Tatiana disse...

Uma carta muito sentida...
*
É Natal...
Que a Reflexão faça parte da sua festa, que o Amor faça morada em seu coração e que a Paz habite a sua mente.

Um Feliz Natal para você e todos os seus familares e amigos!

KImdaMagna disse...

...minha irmã temos em comum essa maravilhosa planta exemplo de resistência e persistência que é a W. Mirablis.
Eu sei que o atrito do mundo por vezes é doloroso e faz desanimar. mas o ser humano tem em si capacidades que só mesmo a persistência,. a genuidade, no -lo podem mostrar.
A figura da/o Guerreira/o não pode deixar de existir.
Essa é a nossa ( minha e tua) sublime missão.

Força e Espírito é o que te desejo

xaxuaxo

intervalo disse...

Vera Lúcia,estamos ausentes cada um com seus afazeres,mas sempre que posso venho aqui vê se postou algo.Desejo que tenha um bom ano.beijoss

JotaCê Carranca disse...

Kalaari:
obrigado pelas palavras bonitas que me deste na Sanzala. Um beijo grande

intervalo disse...

Vera Lúcia,adorei ter notícias suas,vencemos,somos vencidos,porém nunca derrotados,seguir com esperança no coração,você com as palavras em forma de poesia,fala com coração.beijosss com carinho.Lia...

KImdaMagna disse...

...ficaremos atentos sempre aos senhores da guerra.
e também daqueles que querem o Governo Único para globalizar a bárbarie engravatada.

um abraço forte
xaxuaxo

intervalo disse...

Um beijo,para matar saudades e desejar que tenha alegrias no teu caminhar,Vera Lúcia.

Dani disse...

hum, ficou muuuito bom!
ainda cantarei a volta
de alguém que nunca deveria ter ido... rsrs :(

xD

bjsss

Tatiana disse...

Obrigada por suas palavras em meu blog!

Um beijo carinhoso

KImdaMagna disse...

....Mana mesmo eu quando escrevo algo ,vejo sempre muitos sentidos.
é que não existem regras gramaticais para distinguir o predicado estético dos restantes predicados.


por exemplo um dos sentidos do INFERÊNCIA FALACIOSA, é uma observação ao deslocamento do entendimento para os dentes brancos e imaculados que muitos políticos e Damas que querem seduzir, usam nas suas "estratégias" quero dizer basta mostrar a dentadura num suposto largo e franco sorriso, para ficar tudo dito.

tb uma observação às sociedades modernas ( mais em contexto Urbano)que já não ouvem nem pensam só Veem.

Tb na mitologia as ninfas -São frequentemente alvo da luxúria dos sátiros, ou podemos relacionar com a Eco e o Narciso e tantas outras coisas.

é claro que eu faço sempre uma crítica a mim próprio, não me excluo.

Haverá no poema provavelmente uma influência do Nietzshe.

XAxuaxo

Marilda Confortin disse...

Olá Vera. Passando por aqui para conhecer teu blog. Muito bom. Parabéns.
Linkei no meu e publiquei um poema teu.
www.iscapoetica.blogspot.com

beijo querida

Marilda Confortin
Brasil

AJO disse...

''Rua 13''

Que belo poema! Esta noite condensa muitas ruas numa só, como tantas ruas em pó desfeitas, como tantas necessidades latentes em busca de vida. Maravilhosa poesia, claro que sim, muitas estrelas festejadas. Beijos de Saudade, AJO

Zuleika disse...

'' Rua 13 ''

Belo, minha querida. Belo, deveras. O clima da noite-noite, presente. Presente o prenúncio do dia.
Beijo de carinho da
Zuleika.

João Batista do Lago disse...

''Rua 13''

“Rua 13” é desses poemas que a gente não se cansa de lê-lo.

Sobretudo porque ele nos arrasta para a mais recôndita noite que existe em cada um de nós – seres humanos aparvalhados na solidão e na escuridão das noites insones que se nos vão revelando essas imagens vampirescas.

Permita-me ressaltar “o Vampiro” insolente que se faz sujeito nessa tua poesia.

A noite, de fato, é o espaço ideal para a vivencidade dos vampiros, pois, à noite – quando se torna noite(!) – eles (na calada da noite), são em realidade “bocas que sugam sangue”… São entes sem corações…

Imaginemos, pois, como a autora se nos sugere em imagens, os vampiros que se reúnem às noites (caladas noites!) para projetar a “solidão e a miséria” num tempo e num espaço “(…) sem paz. / Sem Deus, sem afagos, / Sem nacos de pão, sem nada.”.

Grande abraço.
João Batista do Lago

Marilda Confortin disse...

''Rua 13''

Oi Vera.
Que noite tenebrosa. Esse poema é como uma ecografia intra-uterina fotografando os medos que crescem nos labirintos escuros de nossa alma… sim, é possível que nasca um sol, mas, e se nossos pensamentos parirem monstros?
Que belo poema, Vera!

Tatiana disse...

Boa trade Vera!
Um poema muito sentido!
Passei por aqui para além de apreciar... Deixar o meu carinho... E desejar que o seu final de semana seja muito especial!
Beijinhos mil

Tatiana disse...

Vim desejar um ótimo final de semana!

Que o seu coração esteja bem e feliz!

Beijos com meu carinho

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Adorei!

Tatiana disse...

Vera...desejo uma semana maravilhosa para o seu rico coração!
Beijos com meu carinho